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Depoimento – Nando Olival (diretor)

Nando Olival (diretor)
“Eu sempre acreditei muito no processo da feitura de um filme. No artesanato. Sempre gostei da maneira que um filme vai se construindo aos poucos. De como ele vai tomando forma nas diferentes etapas. Queria que a narrativa pudesse ser descontruída, reconstruída, reelaborada não só no roteiro, mas também na filmagem e na edição. E para isso achei que o filme tinha que ser independente. Que ele não deveria nascer cheio de amarras, de imposições. E isso de forma nenhuma quer dizer que eu queria impor ao filme uma autoralidade rígida. Ao contrário, era justamente para que a participação dos outros durante o processo me desse as ferramentas para criar este ‘novo filme’. Desde sempre quis fazer um filme com jovens em que houvesse uma certa precisão na interpretação, onde não houvesse improvisações, onde o texto não fosse recheado de gírias contemporâneas. Onde as pausas e os olhares tivessem mais importância do que o movimento frenético da câmera. Porque era justamente ali que estava o tema: na importância das palavras, dos gestos. Acho que num período da juventude tudo parece ter uma certa carga de irresponsabilidade. Nos beijamos, nos abraçamos, nos tocamos afetivamente e sem pudores. Falamos palavras de amor e de ódio com a naturalidade de quem pede um sanduíche na padaria. Acho porém que em um certo momento tudo ganha um outro valor. É como um ritual de passagem. Um ritual de passagem que não tem nada a ver com responsabilidade profissional, de ter que arcar financeiramente com sua vida, de ser jogado na boleia do mundo. É uma outra transformação, é quando você descobre o quanto todas aqueles palavras, aqueles gestos que pareciam impunes ganham, na entrada da vida adulta, um outro peso. Tocar em alguém tem agora um outro sentido. E ele pode ser devastador para quem toca ou é tocado. Dizer eu te amo vem carregado de consequências. Falar ‘tô’ fora ou dizer que vai se mandar presume você conhecer um pouco de quem você é, de onde você veio, já que agora existe um passado.”


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